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História

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Em 1917, Lago Cerqueira funda as Caves da Calçada com a construção de uma adega na Casa. A Casa da Calçada, de resto, já há muito produzia vinhos, e possuía uma coroa que o provava: aquela que é hoje a vinha mais antiga da região.
Lago Cerqueira apresenta-se como tudo menos tradicional: institui novas configurações de vinha, e dinamiza o negócio dos vinhos de forma a ser o primeiro empresário de Vinhos Verdes a exportar para fora do país: nomeadamente, para o Brasil.
A região dos Vinhos Verdes já era desde 1908 uma região oficialmente demarcada. Este reconhecimento marcou o nascimento da identidade do Vinho Verde como um produto com personalidade própria. Amarante sempre foi um grande pólo de produção agrícola, e a produção vitivinícola não lhe ficava atrás: foi uma das primeiras cinco sub-regiões da denominação de origem controlada junto a Monção, Lima, Basto e Braga.

Em 1926 a República é derrubada, e António do Lago Cerqueira vê-se obrigado a partir para o exílio. Passa-o em Paris, onde refina ainda mais a sua sofisticação e gosto pela arte com que viria a rechear a Casa da Calçada. Mas não se limita a afogar as mágoas políticas em prazeres cosmopolitas: ingressa no curso de Vinicultura e Vinificação do Institut National Agronomique, cujas lições traria para a produção das Caves com o seu regresso definitivo em 1933. As Caves da Calçada colecionam prémios e distinções para os seus vinhos enquanto Lago Cerqueira, amargurado com a ditadura que se instala no seu país, volta todas as suas energias para a produção dos vinhos.

Manuel da Mota, empresário amarantino do sector da construção, desde sempre mirou a Casa da Calçada com carinho – casa que conhecia bem também por dentro graças à sua amizade com António do Lago Cerqueira. Aliás, a sua própria mansão, a Casa do Pinheiro Manso, localiza-se junto ao histórico palacete. Em 1969 finalmente surge a muito desejada oportunidade: Manuel da Mota compra a Casa da Calçada, e a primeira instrução é a de abrir caminhos entre as suas propriedades e as da Calçada.

Embora o seu ramo fosse o da construção, Manuel da Mota já havia integrado a Sociedade Agrícola Moura Basto – um amplo projeto vinícola. Trabalhava aqui com amigos, em terras que bem conhecia. A estes terrenos são então em 1969 acrescentados os da Casa da Calçada. Não se tratavam estes empreendimentos de geração de riqueza pura e dura, mas antes de uma atividade exercida com carinho e por prazer.
Manuel da Mota falece em 1995, mas não sem antes ter iniciado obras de reconversão na Casa da Calçada, com vista a um propósito de longa data: converter este palacete num hotel. Nada de particularmente chocante para aquele palacete, que pela mão de Lago Cerqueira já havia sido abrigo de inúmeras festas e serões de debate nos tempos acesos da implantação da república.
Em 1999, após fusão com uma empresa maior, nasce a Mota-Engil, hoje uma das maiores empresas construtoras do país. Coube à filha mais nova de Manuel da Mota, Paula Mota, concluir a transformação do espaço. A fina decoração e as peças de arte que recheiam a Casa da Calçada tornavam-se abertos a todos aqueles capazes de as apreciar.

É agora, no princípio do novo milénio, que surge a marca CALÇADA. Com uma consciência plena da densa e honrada história das propriedades que a compreendem, a Quinta da Calçada pretende nada menos do que reacender essa chama que surge ciclicamente com um epicentro especial: a Casa da Calçada. Se o terroir é a conjugação perfeita entre vinha e terra, uma marca de vinhos é a conjugação ideal entre história e visão.